Minha manhã começa agitada ao sair de casa.
Caminho rapidamente para parada.
O 56 passa logo em seguida e ao entrar, quando consigo ver, dou de cara com o motorista.
Homem negro, calvo e com aqueles sorrisos brancos, bem grande.
Quando passar pela roleta é uma opção, dou um tímido bom dia ou apenas sorrio.
A viagem é sempre muito animada.
As proporções do coletivo facilitam a intereração (mas não comigo).
Hoje, uma das passageiras teve direito a Parabens em uníssono.
As palmas não soaram, mas podia-se ouvir as vozes sendo puxadas pelo condutor.
Durante os 40 minutos ele tenta acalentar Sofia com sua voz (bebê que sempre está com sua mãe na cadeira logo atrás a dele), faz graça com uma senhora loira (inclusive hoje eles discutiram), comenta que precisa fazer as unhas, brinca com o palmeirense, puxa o coro. Além disso ele também dirige e passa trocos. Multi task man.
Hoje não segurei o riso. Quando começaram a cantar parabéns, estava sentada no final do ligeirinho (finalmente!) e a senhora, que minutos antes lamentava que fazia um ano que não tirava folga no fim de semana, caiu na gargalhada e disse que estava se sentindo numa besta escolar!
Aos poucos o vazio e o silêncio foram dando espaço ao espaço.
Desci, com a sensação de já ter vivido bem na calorosa manhã de primavera.
Ajudando as palavras a se perderem no universo, estimulando conexões. Abobrinhas.
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25.9.08
Manhã
17.9.08
Pontos [e contos ] de ônibus
Fluxo.
Pessoas. Carros. Buzinas. Semáforos. Ônibus. Tempo.
Esse vai e vem repetitivo cria causos frente a nossos olhos.
Veja bem se não tenho cá comigo um pouco de razão.
***
Mais uma manhã. Atrasada como sempre. Esperando o ponto final do ônibus que mais lhe parecia o ponto final do mundo, tamanha demora. Costumeiramente, a essa altura, estava sozinha no ônibus. Nessa manhã, não. Um idoso, desses que a fazia lembrar seu avô, também desceria na próxima parada. Uma dificuldade tamanha na tentativa de coordenar seus membros trêmulos, sua bengala e o espaço exato entre os degraus da porta traseira. Desceu. Se colocou à esquerda da porta, firmou sua bengala no chão com a mão esquerda e dirigiu seu olhar para o alto com a mão direita estendida. Ela sorriu. Segurou a mão sem se apoiar. Agradeceu e retribui o bom dia. E por uns instantes, aquilo não lhe parecia mais o fim do mundo.
***
“- Eu vim de ônibus agora, sabe? Aí, você não acredita! Lá na altura da Marinha, sabe?”
Eu tive três segundos para imaginar o fim daquele relato - tempo que o interlocutor de minha personagem gastou para se localizar em seu intinerário.
Pois bem, comecei pensando que havia sido um assalto a ônibus, para manter a conversa na tendência da moda criminal atual; A sirene de uma ambulância da SAMU levou minhas hipóteses para um grave acidente, desses que seria, certamente, manchete no próximo noticiário.
[Meu raciocínio fôra interrompido. Ela voltara a falar].
Foi assim que perdi três segundos do meu dia. Mas devo confessar que me bastou os outros poucos instantes que se seguiram para fazê-lo voltar a valer a pena:
“- Menina, tinha um ipê amarelo muito lindo... todo amarelo!”
***
Pessoas. Carros. Buzinas. Semáforos. Ônibus. Tempo.
Esse vai e vem repetitivo cria causos frente a nossos olhos.
Veja bem se não tenho cá comigo um pouco de razão.
***
Mais uma manhã. Atrasada como sempre. Esperando o ponto final do ônibus que mais lhe parecia o ponto final do mundo, tamanha demora. Costumeiramente, a essa altura, estava sozinha no ônibus. Nessa manhã, não. Um idoso, desses que a fazia lembrar seu avô, também desceria na próxima parada. Uma dificuldade tamanha na tentativa de coordenar seus membros trêmulos, sua bengala e o espaço exato entre os degraus da porta traseira. Desceu. Se colocou à esquerda da porta, firmou sua bengala no chão com a mão esquerda e dirigiu seu olhar para o alto com a mão direita estendida. Ela sorriu. Segurou a mão sem se apoiar. Agradeceu e retribui o bom dia. E por uns instantes, aquilo não lhe parecia mais o fim do mundo.
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“- Eu vim de ônibus agora, sabe? Aí, você não acredita! Lá na altura da Marinha, sabe?”
Eu tive três segundos para imaginar o fim daquele relato - tempo que o interlocutor de minha personagem gastou para se localizar em seu intinerário.
Pois bem, comecei pensando que havia sido um assalto a ônibus, para manter a conversa na tendência da moda criminal atual; A sirene de uma ambulância da SAMU levou minhas hipóteses para um grave acidente, desses que seria, certamente, manchete no próximo noticiário.
[Meu raciocínio fôra interrompido. Ela voltara a falar].
Foi assim que perdi três segundos do meu dia. Mas devo confessar que me bastou os outros poucos instantes que se seguiram para fazê-lo voltar a valer a pena:
“- Menina, tinha um ipê amarelo muito lindo... todo amarelo!”
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