Mostrando postagens com marcador ônibus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ônibus. Mostrar todas as postagens

25.9.08

Manhã


Minha manhã começa agitada ao sair de casa. 
Caminho rapidamente para parada.
O 56 passa logo em seguida e ao entrar, quando consigo ver, dou de cara com o motorista.
Homem negro, calvo e com aqueles sorrisos brancos, bem grande.
Quando passar pela roleta é uma opção, dou um tímido bom dia ou apenas sorrio.
A viagem é sempre muito animada.
As proporções do coletivo facilitam a intereração (mas não comigo).
Hoje, uma das passageiras teve direito a Parabens em uníssono.
As palmas não soaram, mas podia-se ouvir as vozes sendo puxadas pelo condutor.
Durante os 40 minutos ele tenta acalentar Sofia com sua voz (bebê que sempre está com sua mãe na cadeira logo atrás a dele), faz graça com uma senhora loira (inclusive hoje eles discutiram), comenta que precisa fazer as unhas, brinca com o palmeirense, puxa o coro. Além disso ele também dirige e passa trocos. Multi task man.
Hoje não segurei o riso. Quando começaram a cantar parabéns, estava sentada no final do ligeirinho (finalmente!) e a senhora, que minutos antes lamentava que fazia um ano que não tirava folga no fim de semana, caiu na gargalhada e disse que estava se sentindo numa besta escolar! 
Aos poucos o vazio e o silêncio foram dando espaço ao espaço.
Desci, com a sensação de já ter vivido bem na calorosa manhã de primavera.

17.9.08

Pontos [e contos ] de ônibus

Fluxo.
Pessoas. Carros. Buzinas. Semáforos. Ônibus. Tempo.
Esse vai e vem repetitivo cria causos frente a nossos olhos.
Veja bem se não tenho cá comigo um pouco de razão.
***
Mais uma manhã. Atrasada como sempre. Esperando o ponto final do ônibus que mais lhe parecia o ponto final do mundo, tamanha demora. Costumeiramente, a essa altura, estava sozinha no ônibus. Nessa manhã, não. Um idoso, desses que a fazia lembrar seu avô, também desceria na próxima parada. Uma dificuldade tamanha na tentativa de coordenar seus membros trêmulos, sua bengala e o espaço exato entre os degraus da porta traseira. Desceu. Se colocou à esquerda da porta, firmou sua bengala no chão com a mão esquerda e dirigiu seu olhar para o alto com a mão direita estendida. Ela sorriu. Segurou a mão sem se apoiar. Agradeceu e retribui o bom dia. E por uns instantes, aquilo não lhe parecia mais o fim do mundo.
***
“- Eu vim de ônibus agora, sabe? Aí, você não acredita! Lá na altura da Marinha, sabe?”
Eu tive três segundos para imaginar o fim daquele relato - tempo que o interlocutor de minha personagem gastou para se localizar em seu intinerário.
Pois bem, comecei pensando que havia sido um assalto a ônibus, para manter a conversa na tendência da moda criminal atual; A sirene de uma ambulância da SAMU levou minhas hipóteses para um grave acidente, desses que seria, certamente, manchete no próximo noticiário.
[Meu raciocínio fôra interrompido. Ela voltara a falar].
Foi assim que perdi três segundos do meu dia. Mas devo confessar que me bastou os outros poucos instantes que se seguiram para fazê-lo voltar a valer a pena:
“- Menina, tinha um ipê amarelo muito lindo... todo amarelo!”
***